Arquitetura
Arquitetura = Renzo Piano.

Bruce Chatwin: Utz
Literatura de porcelana.
Gary Hamel: The Future of Management
Por que as empresas podem ser diferentes.
A. J. Liebling: Between Meals: An Appetite for Paris
O texto de Liebling é tão espetacular quanto os seus jantares.
Anthony Bourdain: A Cook's Tour
Um cozinheiro que sabe viajar, que fala a verdade e é engraçado.
Ian McEwan: Atonement
Ian McEwan pode ser o Proust contemporâneo.
Joseph Campbell: The Hero with a Thousand Faces
Campbell é mais fascinate falando.
Rolf Potts: Vagabonding
Uma ótima idéia, mas com execução inspirada no título do livro.
Ben Casnocha: My Start-Up Life
Ben Casnocha montou uma empresa com 13 anos - hoje tem 19.
Jessica Livingston: Founders at Work
Como trabalham os caras que montaram as empresas mais interessantes hoje.
Javier Marias: The Man of Feeling
Uma história – misteriosa – de amor.
Timothy Ferriss: The 4-Hour Workweek
Um manifesto – muito prático – à liberdade.
Marcel Proust: Swann's Way
"O prazer que nos dá um artista é o de nos fazer conhecer um universo a mais." Proust
Ian McEwan: On Chesil Beach
"É assim que todo o curso de uma vida pode ser desviado – por não se fazer nada."
Henry James: The Portrait of a Lady
Retrato de uma mulher quando jovem.
Bruce Chatwin: In Patagonia
"Puro prazer – repleto de incidentes, anedotas e dos casos mais estranhos que se possa imaginar." Paul Theroux
Carlos Maria Dominguez: The House of Paper
"A bibioteca que se forma é uma vida."
Bo Peabody: Lucky or Smart?
Bo teve sorte e é inteligente.
Bob Fifer: Double Your Profits
Multiplique os seus lucros.
Bruno Schulz: Sanatorium Under the Sign of the Hourglass
Literatura finíssima.
Robert A. Brawer: Fictions of Business
Literatura ajuda em tudo.
Stephen R. Covey: The 7 Habits of Highly Effective People
Melhor do que Freud.
Philip Roth: Goodbye, Columbus
Uma história – triste – de amor.
Alain de Botton: On Love
Uma história – didática – de amor.
Saul Bellow: It All Adds Up
Tudo faz sentido.
Alain De Botton: The Architecture of Happiness
Como a arquitetura pode mudar a sua vida.
Design Like You Give a Damn
Arquitetura inteligente para situações de emergência.
William C. Taylor: Mavericks at Work
O "Built to Last" de hoje.
Jonathan Safran Foer: Extremely Loud and Incredibly Close
Estamos perto e longe ao mesmo tempo.
Chris Anderson: The Long Tail
Um livro sobre tecnologia e negócios – emocionante.
J.D. Salinger: Raise High the Roof Beam, Carpenters and Seymour: An Introduction
"Seymor once said that all we do our whole lives is go from one little piece of Holy Ground to the next."
Malcolm Gladwell: The Tipping Point
Porque o mundo é feito de pequenas coisas.
Mario Vargas Llosa: Travesuras de la nina mala
Uma história de amor – de amor como ele não deve ser.
J.D. Salinger: Franny and Zooey
Cada vez com mais vontade de só ler Salinger.
Donald A. Norman: The Design of Everyday Things
Porque quase tudo pode ser mais prático e mais bonito.
The Group of 33: The Big Moo
Os autores são ótimos – os caras que mais sabem como as empresas funcionam hoje; o livro é médio.
J.D. Salinger: Nine Stories
Tenho vontade de não ler mais nada – a não ser Salinger.
Guy Kawasaki: The Art of the Start
Guy é o guru do Vale do Silício. É muito inteligente e divertidíssimo.
Roger Fisher: Getting to Yes
Para negociar uma bolinha de gude ou um país.
Philip Roth: Portnoy's Complaint
"Notas do subterrâneo" está para a Rússia assim como a "História do olho" está para a França assim como "Complexo de Portnoy" está para os Estados Unidos.
Paul M. Johnson: Creators
Um elogio à humanidade.
Scott Berkun: The Art of Project Management
Scott é muito engraçado e extremamente prático. A enciclopédia da produtividade.
William Shakespeare: The Tempest
"O, wonder! How many goodly creatures are there here! How beauteous mankind is! O brave new world/ That has such people in't!"
David Allen: Getting Things Done
O manual da produtividade. Se Shakespeare tivesse lido, seria dois Shakespeares.
Mario Vargas Llosa: Letters to a Young Novelist
Podia ser mais na linha do Letters to a Young Poet, do Rilke; mas é bacana quando explica, por exemplo, a importância do estilo no romance.
Baltasar Gracián: The Art of Worldly Wisdom
Baltasar Gracián é alguma coisa entre Pascal, Maquiavel e Daniel Goleman.
Walter Kaufmann: From Shakespeare to Existentialism
Parece que só Walter Kafmann escreve assim.
Sam Walton: Made In America
Sam Walton entendia duas coisas: o varejo e as pessoas.
John Battelle: The Search
Sobre a empresa hoje mais interessante do mundo.
Malcolm Gladwell: Blink
Como tomar a decisão certa – sem pensar muito.
Witold Rybczynski: Home
Como surgiu a idéia de conforto – e como aproveitá-la hoje.
Arquitetura = Renzo Piano.
Para quem ainda não acredita, agora - se não bastasse a Economist - na New Yorker:
Few believe that newspapers in their current printed form will survive. Newspaper companies are losing advertisers, readers, market value, and, in some cases, their sense of mission at a pace that would have been barely imaginable just four years ago. Bill Keller, the executive editor of the Times, said recently in a speech in London, "At places where editors and publishers gather, the mood these days is funereal. Editors ask one another, 'How are you?,' in that sober tone one employs with friends who have just emerged from rehab or a messy divorce." Keller's speech appeared on the Web site of its sponsor, the Guardian, under the headline "NOT DEAD YET." Perhaps not, but trends in circulation and advertising––the rise of the Internet, which has made the daily newspaper look slow and unresponsive; the advent of Craigslist, which is wiping out classified advertising––have created a palpable sense of doom. Independent, publicly traded American newspapers have lost forty-two per cent of their market value in the past three years, according to the media entrepreneur Alan Mutter. Few corporations have been punished on Wall Street the way those who dare to invest in the newspaper business have.
Pelo Julio.
Tenho lido Michel Leiris religiosamente. África Fantasma - seu diário da expedição Dacar-Djibuti, de 1931 a 33 - tem passagens maravilhosas sobre todos os assuntos que interessam: viagens, literatura, antropologia, psicologia, etc., e, se quiser, mulheres. Um espetáculo.
Algumas passagens (daqui):
24 DE MAIO DE 1931
"Começa a fazer tempo bom e calor. Pela manhã, conversa e aperitivo com o comandante. Ele nos conta que os kruman da embarcação têm o costume, quando querem combater a febre, de introduzir uma pimenta no ânus. Por outro lado, a pimenta é um dos elementos essenciais da alimentação deles. Também nos disse que, em determinados portos africanos, para combater o alcoolismo, proibiu-se até a importação de álcool inflamável.
À tarde, grande sessão de engraxar botas e sapatos sobre o convés, torrando ao sol. Estamos agora ao largo da costa do Marrocos. Alguns sinais de regiões quentes: surgem baratas nas paredes; durante o almoço, algumas formiguinhas passearam pela toalha de mesa e subiram no pão. À tarde, avisto águas-vivas de cristas violetas deslizando ao longo do casco do navio. Passei a noite com Griaule, no castelo da proa, conversando; ele deitado, eu sentado, olhando a roda da proa, o céu, a espuma etc. Lembrança de uma canção: Nous partons pour le Mexique/ Nous mettons la voile au vent..." (Em tradução livre: Partimos para o México, zarpamos a todo vapor).
23 DE JULHO DE 1931
"Sonhei que uma de minhas apreensões se realiza e que começo a ficar careca de verdade. O que se manifesta pela formação, sobre a parte direita de minha cabeça, um pouco à frente do occipício,
de um lugar descoberto que, visto de perto, se revela arenoso e pedregoso, com um pequeno oco que posso escarafunchar com o indicador, como escarafuncharia uma escavação arqueológica, e cuja forma alongada me faz lembrar um sarcófago... Griaule, por sua vez, febril, sonhou outra noite que deveria levar leões a um museu.
Afora isso, chuva e 99% de umidade no higrômetro. Larget – com quem saímos em busca de outras lapas e outras grutas e que, mais uma vez, descobre grafites – me fala de geologia e paleontologia. Para mim, o martelo que leva eternamente à mão e seu jeito desengonçado evocam sempre o velho mineiro de Goethe, Zacharias Werner, ou então Wilhelm Oken, a teoria netuniana e os Naturphilosophen do romantismo alemão".
30 DE ABRIL DE 1932
"O motorista, que passou a noite com amigos, está
completamente bêbado. É preciso impedi-lo de
fazer qualquer coisa, pois quebraria tudo. A volta sem pneus de reserva é muito inquietante: com um pouco de azar,
o menor contratempo poderia nos deter por dois ou três dias. Felizmente, tudo corre bem. Tivemos de parar com freqüência,
o bêbado sentia vontades incessantes de mijar e se queixava
com voz pastosa em abissínio…
Agora, a carniça de camelo foi abandonada pelos abutres. Está completamente limpa. Restaram apenas os ossos.
Choveu ontem. O caminho está bastante enlameado. Quando as chuvas se instauram isso deve virar um senhor lamaçal!
Griaule envia um novo telegrama a Adis Abeba, informando que a alfândega de Gallabat ignora tanto os vistos de entrada como os telegramas em francês que nos foram enviados. À noite, tornados ameaçadores. Céu, mais do que nunca, carregado de nuvens hipertrofiadas. Veios de raios. Farrapo de céu cor de enxofre ou azul metálico. Muito suor e pouca chuva orvalham em gotículas. Subi romanticamente no terraço para ver a procissão de tempestades avançar; desci para jantar."
14 DE SETEMBRO DE 1932
"Não pude manter atualizado este diário
nos últimos três dias. Ocupado demais, vi coisas demais.
Faltou pouco para eu ser privado do sacrifício a Abba Moras Worqié, sobrevindo um drama familiar (rapto
de uma moça, seguido de briga, ou ameaça de
briga) domingo, na casa de Emawayish, em Qeddous Yohannès,
seu bairro. Mas apesar do transtorno provocado pelo acontecido, o sacrifício foi realizado segunda-feira de manhã, como combinado. Vi Emawayish em transe fazer o giro com a cabeça e o balanceio pendular com o tronco, que constitui
o gourri. Eu a ouvia, com uma voz mais grave do que a habitual, declamar o tema de guerra de Abba Moras Worqié, entremeado de rugidos. Eu a vi beber sangue. Eu até
a vi sentada, a cabeça coberta com o peritônio e o intestino enrolado ao redor da testa; depois, indo do meio da sobrancelha até a nuca, em forma de crista – véu delicado e cimeira orgulhosa resplandecendo na penumbra, com um brilho um pouco azulado, lembrando a cor de suas gengivas, pintadas à abissínia, em cima, com dentes cor de leite. Eu nunca sentira a que ponto era
religioso, mas de uma religião em que é necessário que me mostrem o deus... ".
26 DE DEZEMBRO DE 1932
[...] “Idéia de um conto, cujos elementos seriam tomados de empréstimo, no sentido mais amplo, da presente realidade. Uma personagem do gênero Axel Heyst. Igualmente gentleman, porém menos endinheirado. Muito mais tímido, ainda mais reservado. Atenção meticulosa que dedica ao vestuário. Uma mancha na roupa branca o enlouquece. Mesmo impecavelmente vestido, parece ter sempre vergonha. Perfeição de suas toalhas de mesa e de seus guardanapos. De ordinário, é calado. Muito raramente (do nada ou se toma alguns uísques) se anima. Portanto, fala com um tom frio e arrogante, tratando os assuntos sexuais com uma espécie de cinismo que também pode ser uma forma de objetividade científica. Exerce uma atividade qualquer numa colônia qualquer. Não é sociável, mas é capaz, como Axel Heyst, de ser obsequioso. Uma só vez, ele se permitiu um pouco; numa conversa, durante um jantar de homens, disse rindo que as questões sexuais não lhe interessavam pessoalmente, dado que é impotente. Essa brincadeira agradou muito. Axel Heyst agora passa por ser capaz de se mostrar, de acordo com as circunstâncias, um companheiro jovial. Como nunca se soube da existência de mulheres, acredita-se que seja homossexual; o cinismo de algumas de suas palavras pode ter contribuído para isso. Por outro lado, diz com muita naturalidade que as mulheres não são necessárias, pois existe a masturbação. Alguns dizem que não é “homem”: não faz nada, não caça, é muito mole com os indígenas, se atormenta com muita facilidade. Entretanto, em circunstâncias graves, chegou a mostrar sangue-frio. Até aqueles que mais o denigrem, lhe concedem alguma dignidade. Mas é certo que não gostam dele. O único homem a quem está um pouco ligado é o médico, com quem conversa muitas vezes sobre ciências naturais e etnografia. Mas, com o médico, não passa disso. Nunca é cínico e evita cuidadosamente tudo que possa estar relacionado à sexualidade e à psicologia.
Um belo dia, uma novidade corre a colônia: há uma mulher em sua vida. À noite, um moleque viu uma indígena entrar na casa dele e sair alguns minutos depois. Mas nada na atitude de Axel Heyst permitiria supor que algo tenha mudado. Ainda freqüenta o doutor com muita regularidade, ou vai jantar na casa dele ou o convida para jantar. Uma noite, o doutor está pronto para dormir quando Axel Heyst chega, desculpando-se muito. Segura o lenço como tampão sobre a testa, perto da têmpora, e o lenço está manchado de sangue. O doutor pergunta o que acontece. Um pouco constrangido, Axel Heyst responde que se feriu ao descarregar o revólver. Bastante confuso, diz, abaixando os olhos e sorrindo, que o conhecem bem na colônia, que não é caçador nem soldado, que não tem o hábito das armas, que é muito desajeitado etc. O doutor faz um curativono ferimento – que é superficial –, manda-o embora.
Algumas semanas depois, o doutor vem a saber que Axel Heyst – que deveria ir à Europa em férias – não viajou. Durante todo esse tempo, ele saiu muito pouco. Como também partirá em viagem, o doutor quer se despedir de Heyst; passa várias vezes na casa dele, mas não o encontra. Finalmente, embarca sem o ver. Conhecendo Heyst, tão educado, não é capaz de conter certo mau humor” [...]
Muitas perguntas se este blog acabou. Não acabou. Este blog descansa; ou mehor: eu descanso dele. Só. Pretendo voltar daqui a umas - não sei... - duas, três semanas, num ritmo mais, digamos, animado, com dois ou três posts por semana.
Aguardem e, enquanto isso, assistam este videozinho, direto do Orkut do Daniel Galera:
Recebi agora o email que o Ben Casnocha envia trimestralmente, com idéias e dicas bacanas, e com uma citação do John Steinbeck que acho impecável:
"A human being should be able to change a diaper, plan an invasion, butcher a hog, conn a ship, design a building, write a sonnet, balance accounts, build a wall, set a bone, comfort the dying, take orders, give orders, cooperate, act alone, solve equations, analyze a new problem, pitch manure, program a computer, cook a tasty meal, fight efficiently, die gallantly. Specialization is for insects."
Viagem a Darjeeling é dos filmes mais bacanas que já assisti. Tudo perfeito. Tavez Wes Anderson seja o cineasta que eu gostaria de ser, se fosse cineasta e, confesso, mais inteligente. Assita o trailler aqui e, por favor, assista o filme, que é um espetáculo em todos os sentidos: pelas músicas, pelas cores, pelos personagens, pelas piadas, etc.
Viagem a Darjeeling é, como toda viagem espiritual, uma viagem antes psicológica, sentimental. E, portanto, tão engraçada quando estranha.
"A travel book, at its purest, is addressed to those who do not plan to follow the traveler at all, but who require the exotic or comic anomalies, wonders, and scandals of the literary form romance which their own place or time cannot entirely supply."
Do "Abroad", de novo, do Paul Fussell, que é um livro - sobre livros de viagem - maravilhoso.
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"Como consolar viúvas", "Inferno carnal", "A mulher que põe a pomba no ar", "A virgem e o machão", "Sexo e sangue na trilha do terror", "Delírios de um anormal", "48 horas de sexo alucinante": são alguns títulos de filmes do Zé do Caixão, que peguei agora na coluna do Ignácio de Loyola Brandão (desculpe a rima). Nunca vi um filme do cara, mas agora, só por causa desses títulos, fiquei com vontade. Talvez Zé do Caixão devesse ser poeta.
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"Abroad", do Paul Fussell, é um livro sobre livros de viagens que tem frases perfeitas, como esta: "exploration belongs to the Renaissance, travel to the bourgeois age, tourism to our proletarian moment". Cada época, também em viagem, tem o seu espírito.
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"Reparação", de Ian McEwan, que acabei de ler agora, é realmente, como ouvi várias vezes, maravilhoso. A sensação é aquela - passageira - de que finalmente entendemos o que sentimos. O final é especialmente encantador: "Agrada-me pensar que não é por fraqueza nem por evasão, e sim como um gesto final de bondade, uma tomada de posição contra o esquecimento e o desespero, que deixo os jovens apaixonados viver e ficar juntos no final".
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Um leitor de Portugal – incrível como os elogios do Francisco Viegas trouxeram leitores de lá – me perguntou se, nas últimas semanas, longe deste blog, andei seguindo o conselho de Fernando Pessoa:
Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...
E talvez seja mais ou menos isso mesmo: eu preciso de um tempo. Não exatamente de literatura, mas deste ambiente virtual, de blogs, que, se é divertido, também ocupa tempo e cansa. Claro que as coisas não necessariamente se substituem, e muita gente consegue viver extraordinariamente e publicar todo dia. Mas no meu caso, por vários motivos, essa combinação estava mais difícil nas últimas semanas.
Estou abrindo mão, então, do compromisso de publicar todo dia, religiosamente. Essa regularidade exagerada, aliás, nem acho o que é o que os leitores querem, já que, nestas duas últimas semanas, a visitação do blog continuou alta, apesar da falta de posts. Muitos leitores não conseguem acompanhar aquela sequência de posts diária, quase eufórica. Nem deveriam, aliás: sinceramente, tem muita coisa aí, longe da internet, que merece muito mais atenção.
Eu estou muito animado programando viagens para os próximos meses: para algumas capitais do norte do Brasil que ainda não conheço, ainda este ano; para alguma praia perdida no Nordeste noreveillon; para esquiar no Colorado, em janeiro, e seguir em conexão direta para a Tailândia; para o México e para Dubai, perto do carnaval; etc. Tenho também assistido filmes loucamente: tudo do Truffaut, alguns italianos, muitos lançamentos. Tenho aproveitado esta folga do blog também para ler mais. Estou encantado com Pragmatism, do William James, e sua defesa da "reasonableness of ordinary experience". Tenho lido tudo do Álvaro Lins , que é um deslumbramento estilístico, e cheio de dicas de autores hoje esquecidos. Proust e Machado, se fosse escolher aqueles três autores para uma ilha deserta, acho estaria satisfeito só com esses dois.
Enfim: este post não é a despedida deste blog nem um manifesto contra a experiência de ter um blog. Continuo publicando aqui, agora com outra regularidade e, talvez, vamos descobrir depois, com outro estilo e sobre outros assuntos.
Enquanto isso, fiquem com um pedaço da apresentação de Abroad, do Paul Fussell, que tem me inspirado muito nos últimos dias:
"This book is about travel writing, but it is also about travel, so I have dealt not just with books but with ships and trains, passport photographs and national borders and small French seaport towns, hotels and cafés and beach resorts, architecture ancient and modern, food and drink, nude sunbathing, and sex, both procreative and recreational. I have dealt with icy trenches and sunny patios, West African and Brazilian chiggers, touts of all nations, suntan oil, oranges and palm trees, the symbolic status of weather, the psychology of the sense of place, the spatial discolations characterizing "modern" writing, and the once indispensable mecums of Baedeker and Tauchnits. (...) to suggest what it felt like to be young and clever and literate in the final age of travel."
Foi ao ar, hoje, a partida da Copa de Literatura Brasileira que apitei: entre Bóris e Dóris, do Luiz Vilela, e Pelo fundo da agulha, do Antonio Torres. Já elogiei Bóris e Dóris aqui. Mas fui muito duro com o livro do Antonio Torres. Também, o cara demorou 30 anos para escrever uma "trilogia sobre o suicídio" e escreveu um livro com passagens como "amor rima com flor".
Alguns comentaristas reclamam que peguei pesado com a pessoa, etc. Bobagem. Jamais eu ofenderia o escritor pessoalmente. Disse apenas que Antonio Torres é um "escritor mixuruca com ambição intergaláctea". Uma ótima pessoa – como sinceramente acredito que Antonio Torres seja – pode escrever um péssimo livro. É a vida.
Para quem não entendeu: o post anterior não foi um elogio ao Sarney nem – muito menos – ao governo dele. Disse apenas que ele me pareceu um leitor sincero. O fato dele gostar de ler não significa que seu governo tenha sido bom nem que ele seja moralmente intocável. Se disse que não sei se ele fez um bom governo, quis dizer, antes, que não estava preocupado com isso quando escrevi o post. Só acho meio bobo quem: (1) não entende que você pode concordar com uma pessoa num ponto e discordar em outro e (2) critica com a maior violência pessoas que não conhece enquanto, no dia-a-dia, suporta feliz o relacionamento com gente que é, no máximo, uma sub-expressão dessas personalidades de quem tanto resmungam.
Sarney está falando para 15 ou 20 pessoas na Casa do Saber. Ele fala fácil, leve; é muito articulado. Não à toa é reconhecido como o político mais influente do Brasil. Sarney recebe elogios por aí de gente que admiro, como Cony e Ferreira Gullar. Escreveu - disse - 68 livros, e não consegue passar um dia ser ler.
O interesse de Sarney pela literatura me parece muito autêntico. Ele tem uma intimidade rara com a maioria dos escritores brasileiros, e acho que leu quase tudo que um presidente brasileiro precisaria ler.
Algumas frases curiosas de Sarney, hoje: "Se me perguntassem se prefereiria ser Presidente da República ou escritor, prefiro mil vezes ser escritor", e "eu nunca quis ser Presidente e lutei toda a minha vida para ser escritor". Não sei se Sarney foi um bom presidente, mas ele nunca me convenceu como escritor. Talvez ele seja mesmo, e apenas, um bom leitor, e, como escritor, um bom político. Nem todo mundo é o que se quer ser - e alguns têm que se consolar com cargo de ex-Presidente do Brasil.
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"Santiago" - o documentário do documentário que João Moreira Salles começou a fazer, há treze anos, sobre o mordomo da sua família - tem passagens ótimas. Muita gente reclamou dos defeitos, óbvios, de um cineasta iniciante que estava aprendendo a fazer entrevistas, etc. Mas os bons momentos são maravilhosos.
Algumas frases da narração são impecáveis: "Mais tarde, e aos poucos, a juventude foi ficando pra trás", e sobre o método de consôlo de Santiago: "e com essas pequenas coisas [uma castanhola, etc.] conseguiu suportar a melancolia de quem sabe que as coisas não fazem mesmo muito sentido".
A casa na Gávea é um espetáculo à parte. Fico praticamente ali do lado - um quarteirão - sempre que vou ao Rio. Não conheço lugar mais agradável para ir ao cinema: aquela sala pequena, com uma parede de vidro aberta para o jardim de - se não me engano - Burle Marx -, é fantástica. É o Rio como ele deve ser - ou um dia foi.
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Descobri agora – por um texto do Jairo Saddi, no Opinião Aberta do Estadão – que o Centro de Estudos sobre o Brasil em Oxford fechou. É triste. Passei um mês lá, em janeiro de 2005, ajudando o diretor do Centro, o Kurt Von Mettenheim, numa pesquisa, enquanto pensava em fazer um mestrado em economia na Universidade. O Centro era extremamente bem frequentado: me lembro de conversas ótimas nos corredores, com brasileiros e estrangeiros interessados pelo Brasil.
Às vezes saía de lá umas 10 da noite, e esbarrava na escada com estudantes debruçados em livros que tinham que resenhar para o dia seguinte. Havia na parede um quadro com uma sequência de frases de Gilberto Freyre sobre Oxford, dos três meses em que passou lá, com frases como: "a melhor temporada da minha vida". Escrevei duas colunas – Inesquecíveis aventuras e Com pouco peso – dos computadores do Centro de Estudos, à noite, depois de consolidar estatísticas sobre a evolução dos partidos políticos brasileiros e antes de sair com amigos para jantar. Saudades.
Hoje foi publicada a última coluna do Giobbi no Estadão. Era a única coluna social que conseguia ler. Muitas coisas saiam lá antes. Era uma referência para muita gente. Não sei como pode ser substituído, porque acho que seus assuntos, suas preocupações, são um pouco diferentes dos das colunas sociais que vejo publicada em outros jornais ou revistas. Talvez - já que ele pediu idéias - seu espaço mais adequado seja na internet também. Virou nicho.
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O Alexandre tem acho que centenas de colunas do Paulo Francis recortadas. Ele está pensando em fotografá-las e republicá-las, às quintas de domingos, como o Francis fazia. Reli agora pedaços do que ele republicou desta primeira vez. Tem coisas fantásticas, como:
"Comprei a entrada em maio e vejo em 1 de setembro "Crazy for you", louco por você, um arranjo com músicas de Gershwin. Dos três maiores letristas americanos, dois não gostavam de mulher, mas Ira, irmão de Gershwin, adorava, e o sensualismo dos dois é glorioso. O show, nada de se contar ao bispo, excesso de microfones, e, ah, quem dera que, em vez de Harry Groener, tivéssemos Gene Kelly, 80, ou, em vez de Michele Pawk, Judy Garland. Mas o balanço da música e letra dos Gershwins nos carrega pela noite afora. Do escambau."
Só ir lá e pedir para o Alexandre continuar publicando. Também seria do escambau.
Daniel Piza falou muito bem ontem na Casa do Saber. Pedro Paulo [Senna Madureira] convidou Daniel para conversar sobre biografias e particularmente sobre a sua sobre Machado de Assis. Daniel falou sobre Samuel Johnson - um "gigante" -, Henry Adams, Joaquim Nabuco. Disse que gostaria de escrever as biografias de Graciliano Ramos - um dos três brasileiros que mais admira (Joaquim Nabuco e, claro, Machado são os outros dois) - e Iberê Camargo (como não deixar o assassinato dominar a história da sua vida?).
Li só pedaços da biografia do Daniel. Mas o estilo dele é sempre impecável, e isso deve ter encantado muita gente que não conhecia a sua, como disse Pedro Paulo, assinatura. Gostei de saber das pequenas coisas que afetaram significativamente a vida de Machado - mas que os biografos antigos quase ignoraram -, como os efeitos colaterais dos remédios que tomava. Daniel também disse que fez grande esforço para desmontar a imagem predominante que temos de Machado, do melancólico solitário, que se resume aos últimos anos da sua vida. Machado era bom piadista, segundo Daniel, e circulava bem socialmente, mais jovem.
O Polzonoff, aliás, foi até citado na aula, como exemplo de alguém que ficou com raiva de Machado pelos defeitos que foi descobrir que ele tinha depois de ler a biografia - um puxa-saco, em bom português, de Dom Pedro II. E outra coisa: incrível como as pessoas ainda lembram do trabalho espetacular que o Daniel fazia no Fim de Semana da Gazeta Mercantil. Eu tenho saudades, mas faz tempo que não falo sobre isso, e um pessoal lá fez questão de lembrar a qualidade daquele caderno. Bons tempos, aqueles.
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O André Gazola está fazendo uma marcador muito simpático com as frases que os jurados da Copa do Brasil de Literatura escolheram dos livros que leram para esta primeira rodada. Gostei em especial desta quase boba mas muito verdadeira do Memorial de Buenos Aires: "O tempo corre do mesmo modo, que o desperdicemos ou façamos algo de útil", do Antonio Fernando Borges, e também da pergunta "O que fui fazer em Cabo Frio?", de O Adiantado da hora, do Cony, ambas escolhidas pelo Jefferson.
As frases dos livros que li não entraram nesta versão – o André está atualizando o marcador –, mas adianto quais são: "Amor rima com flor. E também murcha. Ficam os espinhos nas extremidades do caule", do Pelo fundo da Agulha, do Antonio Torres, e de Bóris e Bóris escolhi este diálogo: "- E acho que finalmente... Finalmente, Dóris, e é isto que eu ia te contar, esta é a grande notícia que eu ia te dar: finalmente eu vou realizar o grande sonho da minha vida. – Cuidado, você vai sujar a gravata aí no prato." Uma delas achei péssima mas ilustra bem a qualidade do livro – adivinhem. (Publico aqui o marcador assim que o André atualizá-lo, claro.)
Assisti hoje "Domicílio conjugal", de Truffaut, duas vezes seguidas. Tudo bem que dormi um pouco na primeira vez, mas não foi só por isso. Me lembro de "Os incomprendidos", que assisti no cinema acho que há uns dez anos, sozinho, e havia ali uma verdade tão triste que - talvez também fosse o momento - me deprimiu um pouco. E imaginava Truffaut sempre assim: como um cineasta que mostrasse inteligentemente, maravilhosamente aquelas verdades que preferimos esquecer. Mas encontrei em "Domicílio conjugal" o espírito do diretor que tem uma das frases mais esquecidas e mais úteis sobre o relacionamento humano: "a vida é curta demais para se perder tempo em discussões inúteis". "Domicílio conjugal" é - para usar o mesmo adjetivo do amigo que me recomendou que assistisse - sublime.
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Ontem li com mais cuidado a reportagem sobre o Google na Economist e hoje instalei o Google Apps para todo mundo na empresa. Não sei se o Google um dia vai dominar o mundo, mas a minha vida ele praticamente já dominou. Eu – pelo menos – não tenho medo deles.
"If you have built castles in the air, your work need not to be lost; that's where they should be. Now put the foundations under them." Henry David Thoreau, em Walden
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Leio meus feeds no Google Reader enquanto espero meu amigo chegar no restaurante. Só coisa boa. Não peço mais jornal.
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Mãos de cavalo, do Daniel Galera, é o livro que eu achei que fosse ganhar a Copa de Literatura, mas O segundo tempo, do Michel Laub, é o livro que eu queria que ganhasse – mas a Olivia preferiu Música perdida, do Luis Antonio de Assis Brasil. Gosto muito do estilo fluente, fácil, bonito do Michel. Sua opção por personagens adolescentes em situações dramáticas dá aos seus livros um clima leve ao tratar momentos decisivos na vida de seus personagens. Seus livros são de uma elegância, de uma naturalidade encantadoras, e seu texto é, dos escritores brasileiros contemporâneos que conheço – poucos, é verdade –, o que mais tenho prazer em ler.
Mas também: seria demais se um livro repleto de referências sentimentais ligadas a futebol – como é O segundo tempo – fosse campeão da Copa de Literatura Brasileira.
Desta vez não resisti e anotei algumas frases do Pedro Paulo Senna Madureira, ondem, na Casa do Saber. Algumas são fascinantes:
Muito lúcidas as respostas do Ferreira Gullar na seção Antologia Pessoal, hoje, domingo, no Estadão. Legal saber que ele não cansa de reler Machado e que não gosta e Beckett porque "não posso gostar de uma coisa que me faz mal. (...) Você pode dizer que é uma coragem o cara encarar isso [que o sentido da vida é inventado por nós], dizer que não tem sentido mesmo, mas isso não adianta nada! Tanto não leva a nada que ele aceitou o Prêmio Nobel".
E sobre artes plásticas o autor de Tanga ele vai direto no ponto: "Nas artes plásticas, para mim, não tem fácil ou difícil; não vejo assim. Ela não tem de ser decifrada, tem que ser sentida. Ela não fala a nossa inteligência verbal lógica, fala às nossas emoções. Tem gente que fica preocupada, acha que arte evolui. Que você tem que aceitar um cara colocar cocô não-sei-onde e mandar para galeria. Na arte contemporânea, na maioria dos casos não é arte, é expressão". É verdade: e cada um pode se expressar com o material com que mais se sente à vontade.
Ontem à noite, no Condessa, na Vila Nova, ouvi uma frase - do namorado pra namorada, na mesa ao lado - de uma delicadeza sentimental comovente: "Você dorme feito uma vaca velha".
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O Digestivo Cultural é o maior e melhor site brasileiro sobre assuntos como literatura, música, cinema, jornalismo, gastronomia, etc. O Digestivo revelou alguns dos melhores blogueiros brasileiros – Alexandre Soares, Fabio Danesi, Rafael Rodrigues, etc. –, publicou os maiores nomes do nosso jornalismo – Daniel Piza, Sérgio Augusto, Sônica Nolasco, etc. – e é frequentado pelos melhores leitores – Michel Laub, Diogo Mainardi, Ricardo Freire, etc. O Digestivo é, na internet, – e aproveitando a data de hoje – quase uma proclamação da inteligência nacional.
O Julio deixou o mercado financeiro há seis anos para se dedicar exclusivamente ao Digestivo. Ele programou o site na unha, redigiu milhares de Digestivos, escreveu dezenas de colunas, reviu centenas de colunas, trouxe os melhores colaboradores, revelou novos talentos, fez entrevistas antológicas, atraiu patrocinadores de peso. O Digestivo é um caso de empreendedorismo brasileiro exemplar: de uma empresa super-enxuta, rentável, com um produto da mais alta qualidade que é distribuído aos seus clientes gratuitamente. Sem saber que era impossível, o Julio foi lá e fez.
Há uma semana, por problemas técnicos da Telefônica, o Digestivo está fora do ar. O Julio me passou o chat com o Kleber Silva, atendente da Telefônica, e a conversa é arrepiante: "Não foi informado um prazo para a solução", "onde há um problema com o banco [de dados] é bem delicado de ser tratado", etc. Imagine: mais de cinco anos de trabalho diário, e você não saber onde foi parar o seu banco de dados. Independentemente do problema ser consertado - e espero do fundo do coração que seja –, o que já aconteceu, até agora, é de um absurdo assustador: o banco de dados mais inteligente da internet brasileira está correndo o risco de se esfarelar nas mãos de Klebers Silvas da vida.
A Telefônica só vai se mexer quando perceber que alguma coisa diferente está acontecendo. Precisamos então mostrar para eles que o mundo mudou – acho que eles não prestam atenção no que se passa dentro dos cabos do Speedy. Eu queria ver o presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, resolvendo o problema do Julio com uma chave de fenda na mão. Se você também quiser, esta é uma idéia: escreva um post sobre o Digestivo no seu blog com o título acima: "Contra o portal Terra, do Grupo Telefônica". Para que o site volte rápido ao ar – e o Kleber Silva e o Antônio Carlos Valente descubram para que serve a internet.
Estava assistindo agora algumas sinfonias de Mozart no Joost. É uma experiência fantástica. Não sei onde vai acabar a televisão tradicional, mas o caminho me parece que começa pelo ralo.
A lista dos meus shared items do Google Reader – que aparecem nesses "Cinco links" à direita – é mais ou menos o que seria o meu blog favorito: Brad Feld sobre o Lijt, Alexandre Soares sobre os últimos livros que comprou, Daniel Piza sobre Bonfati, Fred Wilson sobre time off, Ricardo Lombardi sobre o Lonely Planet do Afeganistão, Alessandro Martins sobre como ler no trânsito, Mark Cuban sobre a morte da internet, Carolina sobre os ingressos do TIM Festival, Robert Scoble sobre o blog do futuro, Ram sobre estar ocupado, Guy Kawasaki sobre ficar velho, Hugh Mcleod sobre casamento, Ben Casnosha sobre a Atlantic, Scott Berkun sobre venda de livros, World Hum fechando o verão, etc.
Essa lista de assuntos é a melhor resposta para quem: (1) reclama da qualidade do que está na internet e (2) defente a mediocridade monotemática e a redação pré-alfabetizada dos blogs mais populares do Brasil. As coisas interessantes nunca foram tão acessíveis e a conversa sobre elas nunca foi tão aberta.
Desisti de assinar o blog do Reinaldo Azevedo. Há um mês incluí ele no meu Google Reader, mas até agora não consegui ler um post inteiro. É curioso: eu acho que ele escreve bem e acho até que essa cruzada para derrubar Lula – em que ele e o Diogo Mainardi se envolveram – é muito saudável politicamente para o Brasil. Mas cansa. Concordo com praticamente tudo que ele diz mas não leio mais uma linha sequer do que ele escreve.
Hoje no Kinoplex eu vi pela primeira vez um cara usando o iPhone em São Paulo.
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"Henry James é sub-Proust na língua inglesa." Pedro Paulo Senna Madureira, ontem à noite, na Casa do Saber.
A Copa de Literatura Brasileira começou hoje com uma zebra: Daniel Galera – que votei como favorito para ser campeão – foi eliminado na primeira partida. Gostei de Mãos de cavalo, mas pensei que os jurados fossem gostar ainda mais. Como disse o Lucas, na apresentação da Copa: "O prêmio em si interessa pouco: bom é discutir quem merece ganhar antes e reclamar de quem ganhou e não devia depois". No site você pode dizer se concorda "com certeza" ou não concorda "nem um pouco" com os resultados, comentar a explicação do jurado, etc. Divirta-se.
Meu pé de laranja lima é um filme profundamente triste. Ele foi, durante anos, o meu filme favorito. Algumas cenas me marcaram muito, quando era criança, como a do menino cortando o varal das vizinhas e assustando uma grávida com uma cobra falsa na calçada. Mas assisti de novo, ontem, e reparei como é um filme diferente, de outra época. É uma história muito pura, muito real, mas com passagens que hoje seriam impossíveis: como a do dia em que Zezé passa trabalhando para comprar um maço de cigarros para o seu pai, os tapas que vive recebendo da família e mesmo de desconhecidos, etc.
Mas o filme não seria impossível hoje só por esses detalhes. Zezé tem cinco anos e está passando por um drama existencial comovente. Tenta se divertir, sonhar, conversa com as pessoas, mas quase ninguém consegue entendê-lo. A não ser Portuga, um homem rico e misterioso que acolhe Zezé como um filho. O desinteresse da relação entre eles parece hoje até estranho. Estamos acostumados a desconfiar de tudo.
A salvação de Zezé – o que o salva do suicídio – não são as saídas convencionais que têm nos consolado no cinema ultimamente: não é a família, não são os amigos da escola, não é que ele descobriu que pode ser feliz mesmo sem dinheiro, etc. Zezé amadureceu quando descobriu que a maior dor é aquela que dói no fundo do coração e que não conseguimos compartilhar com ninguém. O Portuga foi alguém com quem ele compartilhou parte dessa dor por algum tempo; mas o Portuga sofre um acidente, morre, e Zezé, aos cinco anos, descobre que "estamos condenados a viver".
Meu pé de laranja lima também é um filme muito brasileiro. Vassouras, onde o filme se passa, poderia ser qualquer cidade brasileira: aquelas paredes descascando, as calçadas irregulares, o bar que serve limonada, as ruas em paralelepípedo, a pracinha no centro, etc. É exatamente como imagino o Brasil na época – até os anos 70 –, mas é bem diferente de como ele é hoje. Meu pé de laranja lima é uma história que não se escreve mais que se passa num Brasil que não existe mais. Parte da sua tristeza também está aí.
Assista o video está no Rodrigo Barba.
Estou lendo "My Startup Life", do Ben Casbocha, que montou a sua primeira empresa com 13 anos. O livro é cheio de dicas úteis para empreendedores, e o blog dele - que sempre cito nessa lista de cinco links, na coluna direita deste blog - é dos que mais tem me dado prazer em ler ultimamente. Ele escreve muito sobre a importância do desenvolvimento pessoal, e gosta bastante de psicologia e filosofia - peguei boas dicas de escritores com ele. Ben tem 19 anos, vive viajando pelo mundo, escreve muito bem e tem interesses variados. É o tipo de blog que gosto de ler. Li agora - na metade do livro - que ele sofreu um acidente de carro enquanto estava distraído checando o BlackBerry. Fiquei assustado - vou tentar me organizar de outra forma, e espero isso não comprometa a regularidade dos posts aqui. ;-)
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Ando fascinado com a leitura e Joseph Campbell. Sempre achei mitologia um assunto muito obscuro, erudito, quase inacessível. E psicologia - como ciência - nunca me interessou particularmente. Mas Joseph Campbell escreve sobre mitologia de uma forma fácil, encantadora, e suas observações sobre psicologia são de uma lucidez incrível.
Estou lendo "The Hero with a Thousand Faces" em êxtase. "The Call for Adventure" e "Refusal of the Call", os primeiros capítulos, têm passagens maravilhosas, e o efeito da leitura é praticamente o mesmo - como me disse o amigo que me recomendou o livro - da melhor literatura.
Joseph Campbell acha que o que buscamos não é o sentido da vida - mas a experiência de estarmos vivos. Não me lembro se Tim Ferriss, no seu "The 4-Hour Work Week", cita Campbell, mas tem uma passagem lá em que